por Rabino Eliezer Melamed


Tradução: José Sampaio (membro Sinagoga Sem Fronteiras)

O Rabino Benny Lau anunciou que consultou o Rav Eliezer Melamed sobre a validade do minyan em encontro virtual. A pandemia impôs aos rabinos e legisladores  haláchicos questões complexas. O Rav Benny Lau, que é ex-rabino da congregação Ramban em Jerusalém, postou no facebook que participou pela internet de uma reza comunitária da congregação Yahad em Tel Aviv. Antes da participação nesse serviço religioso, o Rav Lau pediu ao Rav Eliezer Melamed instruções sobre como proceder durante a oração através do 'Zoom'. O Rav Melamed respondeu que:

1) Não é possível validar o minyan virtual para todas as orações e atos que exigem o quórum. 

2) Pode-se rezar o Kaddish, pois a conexão eletrônica passa a ser considerada uma forma de minyan para esse fim.

3) Quando for necessário que a congregação inteira reze de modo virtual, até mesmo a recitação do "Barechu" antes das bênçãos do Shemá é válida e, portanto, permitida na oração virtual. 

4) Nefilat Apayim: em Jerusalém é costume rezar  sozinho, e em outros lugares é costume fazer isso só se houver livros sagrados no lugar da oração. Segundo o Rabino Melamed, esse encontro pelo Zoom pode ser considerado um lugar em que há os livros sagrados.

5) Recitação dos Treze Atributos: se houver um hazan que saiba recitá-los  com a melodia correta, todos podem recitar com ele.

6) Tudo isso serve para aqueles que querem rezar com minyan, pois, por decisão haláchica, quando é difícil orar com minyan, é possível rezar sozinho em primeiro lugar. Sobre a decisão do Rav Melamed, o Rav Benny Lau acrescentou: "Há muitas questões que envolvem o isolamento social. Uma delas é da experiência diária da oração comunitária. Aqueles que estão acostumados a ir para a sinagoga uma ou três vezes por dia sentem uma profunda ruptura emocional e espiritual com o isolamento social". Segundo o Rav Lau, "há uma lacuna muito grande entre a linguagem religiosa e a linguagem haláchica. Na linguagem haláchica, a resposta é muito simples, pois o princípio de preservação da vida (picuach nefesh) requer evitar qualquer aglomeração e, portanto, a oração comunitária está suspensa, e todos obrigados a rezarem sozinhos em casa". E continuou: “Mas existe uma linguagem religiosa em que há necessidades emocionais e espirituais que atingem profundamente a alma da pessoa. Por exemplo, alguém que está num ano de luto e recita o Kadish todos os dias. Nos dias de trabalho, essa pessoa se esforça o máximo para conseguir rezar em todos os serviços e não deixar de recitar o Kadish. É até  possível que esse enlutado nem seja assim tão exigente com o cumprimento  das orações diárias. Mas o Kaddish age em seu universo íntimo, na sua conexão com Deus, na vivência do luto. Na linguagem haláchica, o Kaddish Yatom (dos órfãos) é quase inexistente. Ele surgiu num contexto histórico tardio e tem pouco destaque na halachá. Mas, na linguagem religiosa, é altamente importante na ordem das prioridades humanas. Portanto, impedir a recitação do Kadish fere algo muito profundo e íntimo da pessoa que está de luto.