Inquisição


Exibição da palestra dia 21 de junho de 2020 - Genealogia Judaica Brasileira

Assista a palestra realizada no dia 21 de junho de 2020, às 17h onde o Rabino Ventura fala sobre: Genealogia Judaica Do Brasil - Sobrenomes, História, Segredos das Escrituras e Profecias.

Genealogia Judaica Do Brasil - Sobrenomes, História, Segredos das Escrituras e Profecias.

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Genealogia - História Judaica do Brasil

Genealogia - História Judaica do Brasil

Acompanhe os artigos, ações e pesquisa da nossa Rabanit Jacqueline Ventura sobre genealogia.

Nossa Rabanit Jacqueline (Jacque) Ventura, tem realizado um trabalho incansável sobre pesquisas genealógicas sobre as origens judaicas brasileiras.

Confira na conta do instagram - Vozes dos Cárceres -  uma parte da história do nosso Brasil que não se conhece:  Instagram - Vozes dos Cárceres.

Além disso, assista uma série de vídeos sobre os cristãos-novos, do livro Povoamento e Conquista do Solo Brasileiro (1530-1680) do Escritor e Pesquisador Jose Gonçalves Salvador: 

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3 - parte 1

Capítulo 3 - parte 2

Capítulo 3 - parte 3

Capítulo 3 - parte 4

Capítulo 3 - parte 5

Capítulo 3 - parte 6

Capítulo 3 - parte 7

Capítulo 3 - parte 8

Capítulo 3 - parte 9

Capítulo 3 - parte 10

Capítulo 3 - parte 11

Capítulo 3 - parte 12

Capítulo 3 - parte 13

Capítulo 3 - parte 14

Capítulo 3 - parte 15

Capítulo 3 - parte 16

Capítulo 3 - parte 17

Capítulo 3 - parte 18

Making-off da série

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Listas de Cristãos Novos Açorianos!!!

Uma informação muito importante para aqueles que são descendentes de XN , Cristãos Novos, processados pela Inquisição Portuguesa - uma lista com nomes e sobrenomes, acusados de judaísmo pelo Tribunal do Santo Oficio, em Lisboa

Listas de Cristãos Novos Açorianos!!! Será que há algum nome familiar?

Uma informação muito importante para aqueles que são descendentes de XN , Cristãos Novos, processados pela Inquisição Portuguesa, aqui se encontra uma listagem de nomes e sobrenomes de açorianos, colhidos na Sinagoga Sahar Hassamain, em Ponta Delgada, São Miguel, Açores,  acusados de judaísmo pelo Tribunal do Santo Oficio, em Lisboa:


NOME + SOBRENOME:

MANUEL AFONSO

LUIZ ALEMÃO

DIOGO ALVARES

BELCHIOR ALVARES

JORGE ALVARES

MANUEL ALVARES

SIMÃO ALVARES

FRANCISCO VAZ ANDRADE

HENRIQUE ANDRADE

GABRIEL ANDRADE

MANUEL BARROS

JOÃO BETTENCOURT

ANTONIO BORGES

JOÃO BORGES

MARIA CARDOSA

DIOGO FRANCISCO CARREIRO

ANTONIO CARVALHAIS

ISABEL CRUZ

JORGE VAZ CUNHA

BRANCA DIAS

FILIPA DIAS

DIOGO DIAS

ISABEL DIAS

INES DIAS

RUI DIAS

MARIA DIAS

DUARTE RUIVO DIAS

MARGARIDA DUARTE 

BEATRIZ FERNANDES

ANTONIA FERNANDES

CATARINA FERNANDES

JOÃO FERNANDES

PEDRO FERNANDES

RUI FERNANDES

HENRIQUE FERNANDES

CATARINA ESCORCIA FERREIRA 

PEDRO GALVÃO

JERONIMA GALVOA

CATARINA GARCIA

BRANCA GOMES

GASPAR GOMES

ISABEL GOMES

JORGE GOMES

JOANA GOMES

LEONOR GOMES

JACOME GONÇALVES

SUSANA GONÇALVES

DIOGO HENRIQUES

MARIA HENRIQUES

FERNÃO LOBO

FERNÃO LOPES

INES LOPES

ISABEL LOPES

DIOGO LOPES

ANNA LOPES

MARIA LOPES

MARCOS LOPES

FRANCISCO LOPES

FRANCISCO LOPES

INES MAIA

MARIA MANUEL

BEATRIZ MARQUES

INES MARQUES

LEONOR MARQUES

ISABEL MARTINS

ANTONIO MENDES

GUIOMAR MENDES

ISABEL MENDES

LUIS MENDES

MANUEL MENDES

VIOLANTE MENDES

GABRIEL MENDES

AGUEDA MONIZ

ISABEL MONIZ

AGATA MONIZ

ANA MORAIS

GABRIEL NUNES

ISABEL NUNES

INES PERES

GABRIEL PINHEIRO

ISABEL PINTA

RODRIGO REBELO

ANTONIO RIBEIRO

HENRIQUE RIBEIRO

CATARINA RICA

MARIA RODRIGUES

CECILIA RODRIGUES

ANTONIO RODRIGUES

ANNA RODRIGUES

JOÃO RODRIGUES

LEONOR RODRIGUES

VIOLANTE RODRIGUES

CLARA RODRIGUES

JERONIMO RODRIGUES

GUIMAR RODRIGUES

BRANCA SÁ

GONÇALO SEIA

MANUEL SEIA

HENRIQUE SOARES

BRITTES TAPEA

FRANCISCA PAZ TEIXEIRA

JOÃO TEIXEIRA

JOÃO TOMAS

ISABEL TOSTE

GASPAR TRIGO

(Lista colhida por Dan Almeida)

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Cristãos- Novos, No BRASIL!! AMBRÓSIO VIEIRA -  Um Patriarca

Cristãos- Novos, No BRASIL!! AMBRÓSIO VIEIRA - Um Patriarca

Confira a denúncia escrita no Caderno do Promotor da Inquisição livro 217.

Cristãos- Novos, No BRASIL!!

AMBRÓSIO VIEIRA - Um Patriarca 

Do Caderno do Promotor da Inquisição livro 217, temos a seguinte denúncia: 

"Aos 23/10/1637, em Lisboa na cada do despacho da Inquisição, apareceu sem ser chamado, Salvador das Neves, (de 24 anos de idade, natural de Amsterdam), filho de Abraham Machorro, natural desta cidade e que depois se passou a viver na Lei de Moisés na cidade de Amsterdam e de Ester, filha também de portugueses nascidos nesta cidade, e disse que:

Há cerca de seis meses, na Cidade da Paraíba, se achou ele declarante, por viver nela com os holandeses, professando a Lei de Moisés, e que achando em uma casa da dita cidade, na qual os judeus que ali residem acodem aos sábados em uma sala grande, e nela oram e fazem suas cerimônias como em sinagoga, que para o dito efeito lhes deseja nos ditos dias um Capitão judeu que mora na dita casa, por nome Moisés Peixoto (alias Diogo Mendes Peixoto), com ele e com os mais judeus públicos que tinham vindo da Holanda, e um Moisés de Almeida ( alieas Pedro de Almeida), cristão-novo português, que depois de tomada a Paraíba se foi circuncidar a Amsterdam, do qual ouviu dizer era natural da cidade do Porto; e uma sua avó, que neste Reino fora queimada pelo santo ofício; e um outro companheiro deste (Gabriel de Cáceres), e na (casa) de um homem chamado (Manuel Rodrigues) Monsanto, que há um ano foi do Brasil para Holanda e fazer-se também judeu, o qual é grosso e baixo de corpo, e terá 60 anos de idade, e com Ambrósio Vieira que será de 50 anos, baixo de corpo e carregado das espadas, e Manuel Rodrigues da Costa, genro deste, que era de 40 anos, grosso e bem disposto, e João Nunes do Paço, sobrinho do dito Ambrosio Vieira, mancebo de 32 anos, bem disposto e alvo de rosto. 

E estando todos juntos, começou a dizer Moisés Peixoto a Lei por um livro da Lei de Moisés, por guarda e observância dela, declarando-se por crente e observante da dita Lei. E a mesma declaração tiveram com o dito Moisés Peixoto, as sobreditas pessoas, a saber, ele declarante e os judeus que tinha vindo de Holanda, Moisés de Almeida e o companheiro deste, o Monsanto, e Ambrósio Vieira, seu genro e sobrinho, os quais ainda se não circuncidaram com temor de que tornara a Espanha recuperas aquele Estado e declarando-se por judeus; foram lendo cada um por um livro da dita Lei de Moisés, o que o dito Ambrósio Vieira e seu genro e sobrinho faziam por um livro de letra portuguesa, por não saberem ler hebraico como os demais, e que feita a dita oração, no caso por espaço de duas horas, pediu o dito Moisés Peixoto, umas esmolas para os judeus pobres de Holanda, a qual prometeram fazer todas as sobreditas pessoas. E que dentro de 18 dias viu que o dito Ambrósio Vieira mandou um facho de açúcar para a dita esmola que se pediu na sinagoga.

Ambrósio Vieira era natural do norte de Portugal, foi casado com Joana do Rego, teve um filho e 4 filhas, e foi lavrador de cana-de-açúcar no Engenho Três Reis na Cidade da Paraíba. Sua viúva e seu filho foram fintados em 1664.

O filho Luís Nunes da Fonseca teve duas mulheres, Rufina e Maria Tomás, esta filha de Diogo Nunes Tomás e Guiomar Nunes. A filha Clara Henriques foi casada com seu primo João Nunes do Paço. A filha Filipa Nunes da Fonseca foi casada com Manuel Rodrigues da Costa e da filha Isabel Henriques, nada sei.

A filha Maria da Fonseca, casou com o engenheiro e mercador Baltasar da Fonseca e foram os pais do Rabino Daniel Belillos que ensinou na Comunidade Judaica de Amsterdam, e casou com Judith, filha do Rabino Isaac Aboab da Fonseca.

Os netos e bisnetos deste patriarca, foram denunciados e presos na segunda visitação do santo ofício na Paraíba, a partir do ano 1728, pelo crime de Judaísmo. Uma delas, Guiomar Nunes, foi queimada viva na fogueira, porque ensinava judaísmo.

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Reminiscências de uma Judiaria  Marroquina

Reminiscências de uma Judiaria Marroquina

Nas primeiras décadas do século 19 chegaram à região norte do Brasil, procedentes do Marrocos, os primeiros judeus. Eram na maioria jovens, em busca de vida nova. Confira uma das histórias desses judeus.

Reminiscências de uma Judiaria  Marroquina.

A Festa das Fadas.

Nas primeiras décadas do século 19 chegaram à região norte do Brasil, procedentes do Marrocos, os primeiros judeus. Eram na maioria jovens, em busca de vida nova.

Esses judeus marroquinos criaram as importantes comunidades judaicas de Belém e Manaus, vibrantes até hoje. Preocupados em não perder a própria identidade, eles mantiveram e transmitiram suas milenares tradições através das gerações.


De meus avós a meus netos

Meus avós, Simão Sarraf (1872-1952) e Clara Roffé Sarraf (1886-1960), eram nascidos em Belém do Pará. Ambos eram originários de famílias de Marrocos, porém a mãe de Simão, minha bisavó Elisa Baruel, já era brasileira e, portanto, meus netos  são a 6ª geração de judeus brasileiros.

Meu avô era descendente de sefaraditas portugueses que foram para Tetuan, e vovó, de família de Arzila, aldeia de pescadores na costa norte marroquina. Casaram-se em Belém, em 1899, e formaram uma grande família, com seus oito filhos, sendo que os três últimos já nasceram em São Paulo, para onde vovô, que era guarda-livros, se mudou com os seus.

Assim como milhares  de origem marroquina, meus avós haviam herdado toda uma bagagem de usos e costumes, além da tradicional religiosidade judaica  que carinhosamente  transmitiram  a filhos e netos.


O Shabat e a Dafina

Em casa de meus avós, o Shabat merecia realmente ser um dia de descanso, pois os preparativos começavam alguns dias antes. 

No almoço do sábado, quando os homens voltavam da esnoga1, era servida a Dafina2, que exigia três dias de elaboração. Na 4a. feira, vovó e suas filhas sentavam-se na varanda da casa da Al. Lorena e, enquanto conversavam, moldavam manualmente uma a uma pequenas porções de massa na forma de grãos de café. Essa massa era secada ao sol na 5a. feira e, no dia seguinte, torrada e peneirada para tirar o excesso de farinha. Na 6ª. feira, antes do início doShabat, começava o preparo da Dafina. Numa grande panela, queimava-se um pouco de açúcar e, a seguir, forrava-se o fundo com batatas, cebolas inteiras e colocavam-se pedaços grandes de carne de peito de boi. Eram acrescentados a seguir, dois saquinhos de fina cambraia de linho, recheados, um com arroz cozido misturado com ovos batidos, canela e temperos perfumados, e o outro, com carne moída amassada com muitas especiarias. Por último, os grãos já secos e torrados, pouco sal e água suficiente para cozinhar em fogo muito brando. Desta maneira, a Dafina, enquanto cozinhava lentamente até ser servida, impregnava a casa com o perfume delicioso e exótico dos seus sabores marroquinos.

Na memória olfativa, ficou gravado o cheiro da Dafina da casa de minha avó, associada ao convívio familiar de um Shabatdistante, que por vezes procuro reviver, para que meus netos também venham a lembrar, um dia.

Creio que não há casa de judeu marroquino sem uma cadeira de balanço ou uma rede; acredito que seja para descansar após o almoço do Shabat, ou para embalar sonhos e recordações. Merece ser mencionada uma peculiaridade do ritual do Shabat entre os marroquinos, que ocorre no Hamossí(bênção do pão), quando os pedaços da Chalá que são distribuídos pelo oficiante, devem ser tocados no sal e jogados aos pratos das pessoas presentes, porém nunca entregues diretamente em suas mãos.


Pessach – do Seder à Mimona

A semana de Pessach era iniciada com o tradicional Seder que tinha um momento muito esperado, quando vovô passava a keará sobre a cabeça de todos os presentes, entoando a doce melodia do “Bibehílu”, que quer dizer “precipitadamente”, pois foi assim que saímos do Egito. O restante da semana passava rápido entre trocas de receitas à base de Matzá, (el pan de l’aflición), dúzias e dúzias de ovos e pratos tradicionais altamente calóricos e, felizmente, sem a releitura dos novos  conceitos dietéticos.

Mas o mais peculiar dessa data era a finalização festiva em Mimona, momento em que se come pela primeira vez os produtos fermentados, isto é, pão, bolo, doces, biscoitos e todos os farináceos que foram proibidos pelo que parecia o interminável tempo de uma semana. Assim a casa é enfeitada com ramos de trigo, a mesa tem tigelas com levedura de fermento e farinha de trigo, sobre as quais se apóiam ovos e moedas numa simbologia de fartura. Servem-se bimuelos e mufletas (fritura passada no mel), enquanto parentes e amigos entram e saem, pois muitas visitas são feitas com votos de Mimona Shalom, paz em Mimona e para sempre.


Fadas – cerimônia quando nasce uma menina

O nascimento de uma criança traz sempre alegria e grandes comemorações para uma família judaica, especialmente se for um menino, cujo Berit Milásimboliza a continuidade do Pacto com  Abrahão, Pai do nosso povo, com o Eterno. Entretanto, entre os judeus marroquinos, também se dá as boas-vindas às  meninas, com a lindíssima festa das Fadas, que pode ser feita durante o primeiro ano de vida da criança. A palavra “fadar”, vem de fado, destino, portanto “fadar uma menina” é desejar-lhe um bom destino, desejar que uma “estrela alta” lhe ilumine o caminho.

A festa das Fadas se inicia quando a recém-nascida é trazida para a sala onde estão os convidados, precedida de um vaso de rosas, cujo perfume separa um dia comum deste dia de festa. Após o Baruch Habá entoado pelos presentes, o rabino ou o oficiante reza o Shehecheianu e invoca as quatro mães do Povo Judeu, Sarah, Rebeca, Raquel e Léa, para que  acompanhem e inspirem a menina a seguir o caminho do bem, da verdade e das boas ações e para que tenha uma boa Chupá, para a continuidade do povo de Israel.

Sete amigas da mãe da criança são convidadas a acender cada uma das  velas colocadas em uma bandeja, fazendo votos de saúde, beleza, fortuna, bondade e outros bons desejos. Confeitos de amêndoas cor de rosa e brancos, marzipã e doces são servidos com votos de uma vida doce e feliz. A festa das Fadas tem a correspondente das “Siete Kandelas”, entre os judeus sefaraditas de origem turca. Esse costume testemunha o valor que se dá à mulher, mostrando que sua vinda a este mundo é tão festejada quanto a de um filho varão e que suas responsabilidades são, por vezes, até maiores na transmissão dos valores milenares do judaísmo.


Interessantes nomes usados pelos marroquinos

As famílias marroquinas costumavam ter muitos filhos, para poder“nombrar”, isto é dar nomes em homenagem aos avós maternos e paternos. Ao contrário dos judeus asquenazitas, os sefaradim costumam dar aos recém-nascidos o nome de pessoas vivas, para que essa honra seja uma homenagem em vida. Para mulheres, além dos tradicionais nomes bíblicos, vale mencionar nomes originais, tais como Sol, Oro, Alegria, Vida, Preciada, Gracia, Sultana, Perla, Rica, Luna e outros. Para os homens, eram comuns nomes como, Mazaltov (boa sorte), Ayiush (vivo), Yomtov (dia feliz), Habib  (bem amado), Nissim (milagres) e outros.


O banho – água que purifica

O primeiro banho de um bebê, em nossa família, era presenciado por parentes e amigos, que com muita alegria, colocavam suas jóias e brilhantes na água, para que essa criança fosse “endiamantada”. Vovó costumava dizer que quanto mais jóias houvesse no primeiro banho, mais caridosa e boa seria “la kriatura”, isto é, a criança.  Esse costume curioso encontrou ótima acolhida no lado asquenazita da família, que logo adotou e incorporou esse lindo momento.

Não se pode deixar de mencionar a purificação pela água, feita pelo banho ritual, a Micvá, nas vésperas do casamento e sempre que as Leis judaicas determinem. Nas vésperas do casamento usava-se sempre que possível as toalhas bordadas com fios de ouro, que faziam parte dos enxovais, para essas ocasiões especiais.


Casamento – la novia

Entre os judeus marroquinos,  “tener Hada” quer dizer ter o costume,  assim existem várias tradições que não são explicadas; mas, como “es hada”, são mantidas e se baseiam na afirmação “kostumimos”, ou seja, costumamos ou “no kostumimos”, não é nosso costume. E com essas palavras dá-se o assunto por resolvido e encerrado. Era Hada seguir-se ao Dia del Banyo (o dia da Micvá), a comemoração La Noche de La Novia, quando a jovem era vestida com a roupa de “berberisca”, um vestido festivo dos berberes do Norte da África.

Enquanto viviam no Maroccos, nessa noite, véspera do casamento naChupá, a noiva passeava pelo Mellah, iluminada por tochas, ao som estridente das “bargualás” (gritos guturais de alegria em sinal de festa) das judias marroquinas, enquanto se cantavam Piyutim e a família distribuía doces e moedas aos necessitados. Luzes e som são elementos da alegria de ser judeu e participar da festa da continuidade.


Ditados e konsejas

O saber usar ditados populares, bênçãos e maldições é outra faceta interessante dos sefaraditas, em geral, e uma arte daqueles originários do Marrocos, especialmente quando ditos em Hakitia, a língua habitual dos judeus marroquinos, originada na Espanha e acrescida de palavras árabes e hebraicas. Quando algum convidado chegava numa festa, trazendo sua família  inteira e mais alguns amigos e parentes para a comemoração, vovó costumava dizer, espirituosa: “Vino Fulano kon toda la Rabat”.  Rabat é a capital do Marrocos e, portanto, ela queria dizer, ironizando, que Fulano veio trazendo tanta companhia consigo quanto a população de uma grande cidade.

Outro ditado curioso é sempre usado quando alguém mora numa casa pequena, onde há pouco espaço: “Lugar no teníamos en la kasa i la abuelita se puso a parir”. Isto é, onde já não cabia ninguém, só faltava a avó ter um bebê. 

“Komites o no komites, a la meza te pusites”, era o que vovô  dizia quando um filho ou um convidado não apreciava a comida, mas se mantinha sentado à mesa por educação e respeito. “Hijos no tengo, nietos me lloran”, dito usado quando alguém se preocupa com problemas alheios.“Kon el sol vendrá”, isto é: durma tranqüilo que amanhã se resolve o problema.

“Shofea la sahená, la kara de Tisha be Av ke tiene”. Esta frase tem a peculiaridade de usar palavras em árabe, hebraico e espanhol e sua tradução literal é: “Veja a vizinha, a cara de luto que tem”.

“No te hagas mala sangre”. Muito verdadeiro. É um apelo para acalmar alguém, explicando que um aborrecimento envenena o sangue.

Frases de bons augúrios são comuns, tais como: Mazal bueno (boa sorte),Dulce lo vivas (que tenhas vida doce), En fiestas i alegrias (em festas e alegrias), Mejorado el despozorio de tu hija (em breve o casamento de sua filha), Kon salud ke lo uses i gozes (que o desfrutes com saúde), El D'io no guadre (que D’us nos livre), Los malahines ke te akonpanien (que os anjos te acompanhem)

Além do vasto refraneiro sefardita, existem inúmeras konsejas, pequenos contos, lendas ou realidade, de conteúdo moral e educativo, que sempre são contados pelos mais velhos, como a célebre história de Sol – La Sadiká', a Justa, que não quis se converter ao islamismo para casar com o Sultão que por ela se apaixonara.  Jurando que jamais deixaria de ser judia, como nascera, foi decapitada  e está enterrada no cemitério de Fez. Sol Hachuel se tornou um  exemplo de fé e amor ao judaísmo.


Amuletos e Meldados (orações)

Hamsa e Shadai são os amuletos preferidos dos marroquinos, além das folhas de arruda, alhos e os ojikos (olhinhos). Havia ainda palavras fortes e muito usadas, tais como Ferazmal, que quer dizer afastado de mal eMalogrado, infeliz. Existem também orações e frases poderosas  para livrar perigos e evitar desgraças.  “Kapará por ti” é um voto que se faz para que um mal que ocorreu seja pequeno e tenha acontecido em lugar da preservação de algo maior, como a saúde e vida de alguém. Ser abençoado pelos avós, ao beijar sua mão, é costume marroquino que se situa entre a realidade respeitosa e a proteção mística.

Na curiosa mistura de religião e superstições, muitas tradições foram-se perdendo por medo de serem ridicularizadas ou por incompreensão e intolerância.


Acreditando em milagres

Uma figura sempre presente entre os judeus de origem marroquina é o pai do misticismo judaico, autor do Zohar, Rabi Shimon Bar Yohai, ou Rabi Shimon para seus adeptos. Nas horas de aflição é a ele que se recorre e seu retrato está presente em todas as casas, na cabeceira dos doentes, no quarto das crianças, associando sua imagem a grandes milagres. Quando uma criança engasga ou chora com dor, a mãe clama automaticamente por Rabi Shimon, “O Mestre dos Milagres” 

e sabe que ele estará presente com os feitos que o fizeram famoso. SuaHilulá, festa de recordação de um Sadik3, é até hoje uma data respeitada em Belém do Pará.

Em momentos difíceis os judeus marroquinos voltam-se  também ao Rabi Meir, o Grande Rabi Meir Ba'al Ha-Ness, em busca de salvação. Pois, sabem que ele é “Senhor dos Milagres”, “Aquele que irradia Luz”, e  que  também acode os aflitos sozinho ou aliado a Rabi Shimon, se o caso exigir uma “dupla com alto poder nos Céus”. Acredita-se que uma doação feita em nome de Rabi Meir é uma segulá, uma ação que atrai bênçãos, para engravidar, infalível para a pronta recuperação, salvaguarda de sofrimentos e até para achar coisas perdidas.


A única certeza

A consciência da mortalidade é na verdade a única certeza que temos.

Entre os judeus marroquinos, lidar com a perda exige a observância daHalachá e de alguns costumes que, por interferência da vida moderna, vão sendo afastados.

Assim, no Norte do Brasil, onde há a maior concentração de sefaraditas de origem marroquina, ainda hoje é usual enterrar as pessoas apenas envoltas na mortalha, É importante ressaltar que uma tradição marroquina muito respeitada é o costume de não ir direto para casa, quando se sai do Cemitério. Assim se torna obrigatório descer do carro e dar uma parada, seja para tomar um café, comprar um jornal, dar uma esmola ou qualquer outra coisa. Dizem que a observância desse princípio faz com que o Malach Hamavet (Anjo da Morte) não nos siga.

O que fomos ontem é o que hoje somos

Manter acesa a chama do judaísmo, depois de várias gerações na Diáspora brasileira, é um trabalho de recuperar, revitalizar as tradições, manter e transmití-las, para que as novas gerações compreendam a essência dos valores que lhes são entregues e as passem com orgulho para seus filhos.

1   Esnoga - como os marroquinos chamam a sinagoga. Talvez uma corruptela do termo em português e espanhol.

2   Dafina - prato tradicional para o almoço de Shabat entre os judeus marroquinos; equivalente ao Tcholent asquenazita.

3   Tzadik, Justo, em pronúncia marroquina

Fonte: Clara Kochen é formada em Direito pela Universidade de São Paulo. Entusiasta do ladino, da herança cultural - marroquina e  turca - que recebeu de seus pais, vem trabalhando sobre temas que deseja salvar do esquecimento.

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Guiomar Nunes - Uma Judia Paraibana.

Este processo é um clássico para pesquisar o funcionamento da Inquisição.

É preciso, porém, estudar conjuntamente o processo n.º 6284, de Branca de Figueiroa, onde se encontram as denúncias que deram origem a toda as denúncias que trouxe a Lisboa várias dezenas de presos, vindos da Paraíba.

No início do séc. XVIII, a Inquisição começava a identificar os cristãos novos, sobretudo no Continente europeu, apesar da já  mistura de sangues, ocorrida nos séculos anteriores. Ia condenando os que lhe caíam nas mãos e a prendê-los na segunda vez que aparecia mais uma denúncia contra a mesma pessoa. 

Depois, para fazer número, estendeu as suas garras em grande também ao Brasil. Onde de facto havia ali muitos cristãos novos que até viviam em grupos, pois tinham o costume de casamentos endogâmicos, (casar-se com primos). O Brasil não ficava assim tão longe, a viagem demorava cerca de três meses, o que era praticável para pedir informações e interrogar testemunhas.

Na origem de toda a trama que decorre na Paraíba está uma senhora, Maria da Silveira Bezerra, de cerca de 50 anos, cristã nova, viúva de Gaspar Henriques. Pelos depoimentos, vê-se que sofria muito com a viuvez que significava pobreza. Não gostava da família e sobretudo detestava uma certa jactância da ascendência judia que entre eles existia. Outros personagens são o Padre Gonçalo de Gouveia Serpa, 61 anos e o próprio Bispo de Pernambuco, que era D. Frei José Fialho, que também fez um relatório onde queria prender mais ainda do que os que se prenderam.

A Maria da Silveira foi-se confessar ao Padre e disse que todos os da família judaizavam, faziam cerimónias judaicas, jejuns judaicos, diziam blasfémias e não acreditavam nos dogmas da religião católica. O Padre pediu-lhe a indicação de mais testemunhas e autorização para romper o sigilo do confessionário e foi assim. Ela deu autorização e indicou como testemunhas o seu próprio filho, Gaspar da Fonseca Rego, de 20 anos, que vivia com o tio Luis Nunes da Fonseca (que não tinha filhos), uma afilhada dela, Maria das Neves, de 30 anos, Joana do Rego de Sousa, de 37 anos,  uma mulata criada em sua casa, e que o falecido marido considerava como filha e fez forra à nascença, e o marido desta última, Agostinho da Silva Ribeiro, de 35 anos, cristão velho, segundo parece. 

 A denunciante não poupou ninguém, a começar pelo velho pai, de mais de 80 anos, que morreu ao fim de poucos meses de prisão em Lisboa.

Quais as verdadeiras razões da Maria da Silveira para denunciar a família toda? Para além de se vingar de os outros viverem melhor do que ela, foi um belo truque para evitar que ela própria, mais cedo ou mais tarde, desse também entrada nos Estaus. De facto, depois de ter acusado tanta gente, a Inquisição não teria coragem de  prendê-la. Isto apesar de alguns terem testemunhado contra ela, como por exemplo sua parente, Maria Franca da Fonseca (Pr. n.º 8998). Esta denunciou também Joana do Rego de Sousa e o marido Agostinho da Silva Ribeiro. Este último escapou, mas a mulher foi mesmo presa (Pr. n.º 2613). 

A mãe dela, Domingas Fagundes, tentou defendê-la dizendo que o pai não era o cristão novo Gaspar Henriques, mas sim o Coronel Luis de Sousa, cristão velho, mas não teve sorte nenhuma.

As denúncias de Maria da Silveira, seu filho Gaspar, de Maria das Neves, de Agostinho Ribeiro e de sua mulher Joana do Rego estendem-se por muitas páginas do processo n.º 6284. Faziam cerimônias judaicas, Vestiam roupa lavada era uma heresia. Jejuns em datas específicas como em  Março ( Purim)  e Setembro (Yom Kipur).

 Foram as denúncias deles que ajudaram a levar à condenação de todos os presos no elenco abaixo. Todos os presos começaram a denunciar-se uns aos outros. Foi assim que a Inquisição arranjou provas contra eles. 

Estes processos são um símbolo da história da Inquisição. ]

No início da Inquisição, acusavam-se os presos vagamente de dizerem heresias,  de judaizarem, de serem judeus no seu coração e por isso eram punidos. começaram a exigir-se declarações de judaísmo em forma, mesmo que não correspondem a verdade nenhuma, pois agiam contra a jurisprudência.

Guiomar Nunes (Pr. n.º 11772) não quis dizer denúncia nenhum familiar.

Quando estava já relaxada, disse que alguns parentes tinham convicções judaicas, mas que ela nunca os acompanhará nisso. Ja havia 16 anos de casado com um latoeiro Francisco Pereira. Aos 35 anos, quando foi presa, tinha já sete filhos nos braços e mais um na barriga. Levaram-na para Pernambuco à espera de embarque e foi aí que deu à luz. Foi acusada de não ir sempre à missa ao domingo, mas uma testemunha até a tentou defender, dizendo que possivelmente não tinha roupa decente que vestir, por ser muito pobre. Logo a seguir à sua morte em Lisboa, o seu viúvo, Francisco Pereira, casou de novo com Verónica de Jesus, cristã velha que terá ficado a tomar conta das crianças quando ele foi preso, em 21 de Fevereiro de 1733, dado entrada nos Estaus em 28 de Setembro de 1733 (Pr. n.º 436).

  No  início do séc. XVIII, os cristãos novos estavam fartos de saber como funcionava a inquisição. Era preciso confessar e denunciar, se se queria sair com vida dos Estaus. Tinha de se usar a imaginação para contar aos Inquisidores histórias que eles gostavam de ouvir. Todos fizeram isso. Todos, menos a pobre Guiomar Nunes, que não denunciou ninguém e também não confessou. 

Na Inquisição o Procurador não tinha acesso ao processo, apenas lhe davam o traslado do libelo e da prova da justiça, sem indicação do nome das testemunhas nem do lugar da culpa, apenas uma referência muito vaga ao tempo em que presumivelmente tinham sido praticados os factos. Mais: as reperguntas de pouco ou nada valiam, porque os Inquisidores liam às testemunhas o primitivo depoimento, para não correrem o perigo de mudar as falas ditas. Mesmo assim, muitos depoimentos aparecem alterados.

Foi ela acusada por sua mãe, por seu irmão, por seus tios e primos. A Inquisição lista sua mãe como cristã velha, porém seu pai é Judeu de quatro costados. 

Nas denúncias, fala-se das  grandes festas , de roupas limpas e elegantes,  a prática de jejuns. No conjunto dos presos da Paraíba, a Ré Guiomar Nunes deveria ser das mais inocentes e afinal, foi ela a ser morta pela Inquisição.

  

GENEALOGIAS

Manuel Henriques da Costa e mulher Isabel Henriques vindos do Reino, tiveram:

 1-Luis Nunes da Fonseca, que casou com Maria Tomás (ver genealogia a seguir)

2-Clara Henriques, que teve

                     - Maria Henriques, que não teve filhos

                    -  Joana Nunes foi casada com Diogo Nunes Chaves e tiveram:

                                        António Nunes Chaves (Pr. n.º 10475),

                                        Florença da Fonseca (Pr. n.º 13),

                                        Maria Franca da Fonseca (Pr. n.º 8998),

                                        Luiza de Chaves que é viúva e teve três filhos:

                                                                         Maria Franca (Pr. n.º 9393) que casou com Silvestre Pereira e tiveram dois filhos, Francisca e Francisco

                                                                         Joana do Rego (Pr. n.º 3938), que casou com José Pereira e tiveram António e Agostinha

                                                                         Filipa Mendes (Pr. n.º 435), solteira

3-Isabel Henriques, que teve

                    - Luis Gomes, defunto, sem filhos

                     -Isabel Henriques, idem

                    - Filipa Nunes, idem

                    - Maria da Fonseca, que foi casada com Manuel Henriques e tiveram vários filhos entre os quais um Manuel Henriques  (Pr. n.º 9967) que é casado com Joana do Rego (Pr. n.º 9164).

 

  •  Diogo Nunes casou com Guiomar Nunes e tiveram:

 A - Diogo Nunes Tomás (Pr. n.º 196), de 83 anos, que faleceu na prisão em 20-3-1730, casado com  Vitória Barbalha e  tiveram

                     -Diogo Nunes Tomás, (Pr. n.º 8177) casado com Catarina Pereira Barreto e tiveram

                                           -Inácio Gomes (Pr. n.º 12211)

                                               -Vitória Barbalha (Pr. n.º 3613)

                     -António Barbalha, defunto

                     -Maria da Silveira Bezerra, viúva,  que foi casada com Gaspar Gomes ou Henriques

                     -Guiomar Nunes Bezerra (Pr. n.º 11773), casada com Luis Nunes da Fonseca

                     -Joana Nunes ou Gomes  da Silveira (Pr. n.º 2325)

                     -Teresa Barbalha de Jesus (Pr. n.º 9397)

                     -Luzia Barbalha Bezerra (Pr. n.º 816)

                     -Mariana Páscoa Bezerra (Pr. n.º 3514)

 B-Maria Tomás, que casou com Luis Nunes da Fonseca, que veio do Reino e tiveram

                     1-Clara Henriques, de 69 anos, (Pr. n.º 8879), viúva de António Dias Pinheiro que tiveram:

                                        -António da Fonseca Rego (Pr. n.º 10472) casado com sua prima direita Maria de Valença Pr. n.º 1530 e 1530-1, de quem tem seis filhos, chamados Simão, Luis, Filipa, Joana, António e Pedro

                            

Da Nossa Introdução:

      Guiomar Nunes, (Pr. n.º 11772, Relaxada),  casada com Francisco Pereira, latoeiro, (Pr. n.º  436) de quem tem 8 filhos chamados Estêvão, António, Francisco, João, Gonçalo, José, Ana e Maria.

                                       - Maria da Fonseca, que faleceu solteira, sem filhos

                     2-Gaspar  Henriques, defunto, foi casado com sua prima direita Maria da Silveira Bezerra de quem teve

                                      - Duarte Gomes

                                      - Gaspar da Fonseca Rego

                                       -Luis Barbalho

                                       Com os filhos foi criada a antiga escrava, a mulata Joana do Rego de Sousa (Pr. n.º 2613), que depois casou com Agostinho da Silva Ribeiro


3-Luis Nunes da Fonseca (Pr. n.º 9966), casado com Guiomar Nunes Bezerra (Pr. n.º 11773), de quem não tem filhos

                   

4-Joana do Rego, defunta, foi casada com Gaspar Nunes Espinosa de quem tem 4 filhos:

                                        -Jorge Nunes

                                       - Luis Nunes, casado com D. Felícia Peres, de quem tem um filho, Dionísio Peres, de 18 anos

                                      - João Nunes Tomás, solteiro  - (Pr. n.º 8033)

                                   - Joana do Rego (Pr. n.º 9164), casada com seu primo (5.º grau)  -Manuel Henriques (Pr. n.º 9967), lavrador de cana, de quem tem oito filhos:

                                                     

- José da Fonseca Rego (Pr. n.º 8039), faleceu no cárcere em 27-4-1733,

                                                      -

-Dionísia da Fonseca  (Pr. n.º 2422 e 2422-1),

                                                  -

  - Isabel  da Fonseca Rego (Pr. n.º 8032) (marido,  Ambrósio Nunes (Pr. n.º 6288) que faleceu no cárcere em 17-10-1732)

                                                      -João,

                                                        -Pedro,

                                                           - Josefa,

                                                           - Filipa

                                                     - Maria.

 

                     5-Guiomar Nunes, defunta, casada com Simão Rodrigues Álvares, mas não teve filhos

                     6-Ana da Fonseca, solteira, (Pr. n.º 34)

                     7-Filipa da Fonseca (Pr. n.º 11778), casada com Luis de Valença Caminha (Pr. n.º 298) de quem tem

                                      -Estêvão de Valença (Pr. n.º 2296)

                                 -Luis de Valença

                                  -José de Valença (Pr. n.º 2608)

                              -Guiomar de Valença (Pr. n.º 4059 e 4059-1), casada com Henrique da Silva (Pr. n.º 4259) (filho de Branca de Figueiroa-Pr. n.º 6284) de quem tem três filhos, chamados Branca, Luisa e Luis.

                          -Maria de Valença (Pr. n.º 1530 e 1530-1), casada com seu primo direito António da Fonseca Rego (Pr. n.º 10472)

 C - Manuel Henriques, defunto, foi casado com Maria da Fonseca,  tiveram um filho

                                      -Manuel Henriques da Fonseca, (Pr. n.º 9967) que casou com Joana do Rego (Pr. n.º 9164) e tiveram os filhos indicados na esposa.

 

Processo n.º 11772, de Guiomar Nunes, de 35 anos, casada com Francisco Pereira, latoeiro,  moradora na Paraíba, com 8 filhos, o mais velho dos quais com 12 anos.

 fls. 5 img. 9 – 24-12-1728 – Mandado de prisão

fls. 6 img. 11 – 8-10-1729 – Entrega da presa nos Estaus pelo Meirinho António Rebelo

fls. 6 v img 12 – 8-10-1729 – Planta do cárcere

CULPAS

fls. 7 img. 13 – 20-10-1729 – Depoimento de seu tio Luis Nunes da Fonseca (Pr. n.º 9966) que denuncia gente da família

fls. 9 img. 17 – 24-10-1729 – Dep. de sua mãe Clara Henriques (Pr. n.º 8879), que denuncia reuniões familiares em que foram proferidas declarações em forma de judaísmo (“crentes e observantes da lei de Moisés”).

fls. 11 v img. 20 – 26-10-1729 – Dep. de sua prima (5.º grau da linha colateral) e tia afim Guiomar Nunes Bezerra (Pr. n.º 11773), idem.

fls. 12 v img. 24 – 2-12-1729 – Dep. de seu irmão António da Fonseca Rego (Pr. n.º 10472), idem.

fls. 14 img. 27 – 24-11-1729 – Dep. de sua cunhada e prima direita (col. 4.º grau) Maria de Valença (Pr. n.º 1530 e 1530-1), idem.

fls. 16 img. 31 – 16-11-1729 – Dep. de seu primo direito Estêvão de Valença (Pr. n.º 2296), idem.

fls. 17 v img. 34  24-11-1729 – Dep. de sua tia Ana da Fonseca (Pr. n.º 34), idem.

fls. 19 v img. 38 – 26-10-1729 – Dep. de sua tia Filipa da Fonseca (Pr. n.º 11778),idem.

fls. 21 v img. 42 – 26-10-1729 – Dep. de sua prima Joana do Rego (Pr. n.º 9164), idem.

fls. 24 img. 47 – 8-11-1729 – Dep. de seu primo Manuel Henriques da Fonseca (col. 5.º grau) (Pr. n.º 9967), idem.

fls. 167 img. 331 – 17-5-1731 – Dep. de sua prima direita Guiomar de Valença (Pr. n.º 4059), idem.

fls. 167 img. 331 – Dep. de 28-5-1731 – Dep. de Maria Franca da Fonseca (Pr. n.º 8998). solteira, filha de  Diogo Nunes Chaves e de Diana Nunes.

fls. 27 img. 53  - 101-10-1729 – Inventário

Disse não ter bens de raiz. Como bens tinha:

- Um negro de nome Luis, de 19 anos, que valia 130 mil réis.

- Uma negra de nome Cosma, que valia 30 mil réis.

- Quatro vacas com quatro crias no valor total de 24 mil réis.

- Uma roda de fazer farinha no valor de 8 mil réis.

- Duas caixas no valor global de 6 mil réis

- Três tamboretes e uma mesa no valor de 7 mil réis.

- Um cavalo no valor de 16 mil réis.

- Dois tachos de cobre no valor de 5 mil réis.

- Duas éguas no valor de 20 mil réis.

- Uma véstia de seda no valor de 6 mil réis.

- Duas saias de sarja no valor de 4 mil réis.

- Uns brincos de ouro no valor de 14 mil réis.

- Serviço de mesa que não sabe quanto valerá.

- Um espingarda cujo valor também não sabe.

- Uma casa que se pode avaliar em 6 mil réis.

fls. 30 img. 59  - 5-12-1729 – GENEALOGIA

Ver acima

Disse não saber a qualidade do seu sangue.

fls. 37 img. 71 – 7-12-1729 – Sessão in genere

Respondeu negativamente a todas as perguntas-

fls. 41 img. 79 – 23-1-1730 - Sessão in specie

A todas as perguntas sobre a matéria das denúncias, respondeu que ”nunca tal fizera” ou “nunca tal passara”, isto é, nunca tal dissera.

fls. 45 img. 87 – 26-1-1730 - Admoestação antes do libelo. Libelo. Ouvida a leitura, disse que contestava o libelo por negação, que tinha defesa com que vir e queria que lhe indicassem um procurador.

fls. 49 img. 95 – 13-2-1730 –

Juramento do Procurador José Rodrigues Leal. Estância com o Procurador.

fls. 51 img. 99 – Traslado do libelo, devolvido pelo Procurador.

fls. 54 img. 105 – 13-2-1730

O Procurador escreveu: “A Ré Guiomar Nunes contesta o Libelo da Justiça por negação porque sempre viveu na Lei de nosso Senhor Jesus Cristo; e só pessoas suas inimigas a poderiam falsamente acusa, as quais protesta de convencer de falsidade a seu tempo”.

Os Inquisidores despacharam: “Visto como estando com seu Procurador, a Ré Guiomar Nunes com o traslado do libelo da justiça para lhe formar sua defesa não veio com ela, atendendo ao estado do processo e qualidade da prova da justiça que a Ré tem contra si, se lhe faça ex officio, para o que se pedem as ordens necessárias.”

fls. 55 img. 107 – 13-2-1730 – Comissão ao Reitor do Colégio da Companhia de Jesus na Paraíba, para interrogar testemunhas sobre a vida, costumes e cristandade da Ré, em ordem à sua defesa.

fls. 58 img. 113 – 26-11-1730 – Interrogatório das testemunhas pelo Comissário P.e Miguel da Costa, da Companhia de Jesus

 - João de Lemos Pessoa, de 52 anos, natural de Guaianinha, Capitania do Rio Grande, morador na freguesia da Paraíba – Disse que ouvira que alguns escravos do tio da Ré Gaspar Henriques e da avó Maria Tomás e de sua tia Guiomar Nunes, mulher que foi do falecido Simão Rodrigues, que todos faziam o jejum de Setembro, vestindo roupas lavadas e vestidos novos, com cerimónias judaicas; por isso, tem em má conta a Ré, e julga que ela não vive como católica e temente a Deus.  Disse mais que a Ré não frequentava as Igrejas, nem ouvia missa nos dias de preceito.

- Manuel de Lemos Pessoa, de 30 anos, caldeireiro, natural e morador em Paraíba - Conhece a Ré e sempre a teve em boa conta em termos de sua vida e costumes e nunca teve má opinião da sua crença.

- António de Lemos, solteiro, de 22 anos, irmão do anterior, natural e morador na Paraíba – Disse que ouviu dizer a  pessoas brancas e a escravos que a Ré se juntava com outros membros da sua família para fazer cerimónias judaicas e por isso não a tem em boa conta, nem tem boa opinião da sua crença e modo de viver. Que a Ré ouvia poucas vezes missa nos dias de preceito.

- Leonardo Gomes, de 48 anos, sem ofício, natural e morador na Paraíba – Conhece bem a Ré e tinha-a por boa cristã, mas há cerca de 7 anos ouviu dizer que ela se juntava com outros elementos da sua família para fazer cerimônias judaicas. Poucas vezes a via ouvir missa nos dias de preceito, “talvez que por sua muita pobreza não ter vestido decente com que aparecer na Igreja”.

fls. 60 img. 117 – 15-2-1730 – Citação para interrogatórios

A Ré declarou que queria estar com o seu Procurador.

fls. 61 img. 119 – 27-2-1730 – Estância com o Procurador

fls. 61 img. 121 – Cópia da prova da justiça contra a Ré.

fls. 65 img. 125 – 27-2-1730 -  Arguição do Procurador

“A Ré Guiomar Nunes para convencer a falsidade das testemunhas da Justiça requere sejam estas reperguntadas pelos interrogatórios seguintes:

1-Em que partes e lugares dizem as testemunhas que a R. com elas se ajuntara, se foi na rua se em casa? como se chamava a rua e de quem era a casa?

2-Em que dia, mês e ano dão à R. cometidas estas culpas? se era de dia, se de noite, e a que horas? se estavam mais algumas pessoas presentes, quem eram, e como se chamavam?

3-Que ocasião houve para a R. se achar nos lugares, que declararam? se foi acaso aos ditos lugares, ou se foi chamada e por quem? E quem foi a primeira pessoa que sobre isto moveu prática, e quem estava presente?”

e mais seis perguntas do mesmo teor, terminando

“E com estes interrogatórios fiada a R. na sua inocência, e na piedade de V. S.ªs, espera se convençam de falsas as testemunhas da Justiça e contrárias em seus ditos, e seja absoluta destas culpas. O Procurador, a) José Rodrigues Leal.”

fls. 66 img. 127 – Despacho dos Inquisidores mandando interrogar as testemunhas com as perguntas do Procurador.

fls. 67 img. 129 – 10-3-1730 – Reperguntas a Luis Nunes da Fonseca

fls. 72 img. 139 – 10-3-1730 – Idem à mãe da R. Clara Henriques

fls. 77 img. 149 – 10-3-1720 – Idem à tia afim Guiomar Nunes

fls. 80 img. 155 – 10-3-1730 – Idem ao irmão da Ré, António da Fonseca Rego

fls. 84 img. 163 – 13-3-1730 – Idem à cunhada Maria de Valença

fls. 87 v img. 170 – 13-3-1730 – Idem ao primo direito Estêvão de Valença Caminha

fls. 92 img. 179 – 27-2-1730 – Comissão enviada ao Reitor do Colégio da Companhia de Jesus na Paraíba, para reperguntar as testemunhas Maria da Silveira Bezerra e filho Gaspar da Fonseca Rego. Não foram, porém, enviados os testemunhos que estão no Pr. n.º 6284, de Branca de Figueiroa.

fls. 97 img. 189 – 29-11-1730 – Audição das testemunhas Maria da Silveira Bezerra e de seu filho Gaspar da Fonseca Rego, para serem reperguntadas pelo Comissário Padre Miguel da Costa Jesuíta. Este, porem, não tinha cópia dos testemunhos para reperguntar as testemunhas.

Do relato do  testemunho de Gaspar da Fonseca Rego: “E perguntando-lhe pelo que testemunhara contra a Ré Guiomar Nunes, disse que se não lembrava bem. Porém que ouvira dizer a Luis Nunes seu tio, que a dita Guiomar Nunes fazia o jejum judaico e que vivia na mesma Lei de Moisés. E, por mais não dizer, e faltar a cópia do seu testemunho que devia vir junto com esta Comissão, se lhe não fizeram mais perguntas.”

fls. 99 img. 193 – sem data – O Comissário Padre Miguel da Costa envia as diligências que havia feito para a Inquisição, com esta nota:

“Parahiba.

Rol dos papéis inclusos

Diligências da justiça

-Duas Comissões tocantes Branca de Figueiroa, defesa e contradictas

-Duas tocantes a Diogo Nunes Tomás, inimizades e reperguntas

-Duas tocantes a Guiomar Nunes, defesa e reperguntas

-Mais uma Comissão tocante à dita Guiomar Nunes, contradictas.

Todas estas diligências vão correntes em vários maços no saco das cartas que se remete na nau de guerra S. Lourenço por primeira via ao Padre Superior Geral da Província do Brasil. Na Comissão de reperguntas tocante a Guiomar Nunes faltaram as cópias dos testemunhos que se deram contra ela, e assim se reperguntou a Maria da Silveira, e a seu filho, Gaspar da Fonseca, supondo que seriam os que testemunharam contra ela, e disseram o que vai na Comissão. O Comissário, a) Miguel da Costa.”

fls. 100 img. 195 – 21-3-1730 – Requerimento do Promotor antes da publicação

fls. 101 img. 197 – Publicação da prova da justiça

As culpas dadas por Maria da Silveira e seu filho Gastar da Fonseca Rego, que estão no processo n.º 6284, de Branca de Figueiroa, estão assim referidas:

“1-Uma testemunha da Justiça Autora, jurada, ratificada e repetida, na forma de Direito diz que sabe pela razão que dá, que a Ré Guiomar Nunes, de certo tempo a esta parte se achou em certo lugar em companhia de certas pessoas de sua nação, onde ela Ré e as pessoas de sua companhia faziam cerimónias da Lei de Moisés, comunicando-se entre si por crentes e observantes da dita Lei para salvação de suas almas e ao costume disse a dita testemunha nada.

2- Outra testemunha da Justiça Autora, jurada, ratificada e repetida, na forma de Direito diz que sabe pelo ver e ouvir, que a Ré Guiomar Nunes, de certo tempo a esta parte se achou em certo lugar em companhia de certas pessoas de sua nação, onde fizeram o jejum do Dia grande em observância da Lei de Moisés, tratando-se e comunicando-se por crentes e observantes da dita Lei para salvação de suas almas e ao costume disse a dita testemunha nada.”

Seguem-se as referências aos testemunhos do tio Luis Nunes da Fonseca, da mãe Clara Henriques, da tia afim Guiomar Nunes Bezerra, do irmão António da Fonseca Rego, da cunhada Maria de Valença, e do primo direito, Estêvão de Valença Pinto.

Lida a prova da justiça, disse a Ré que era tudo falso, que tinha contraditas com que vir e para isso queria estar com o Procurador

fls. 104 img. 203 – 22 e 23 de Março de 1730 – Estância com o Procurador

fls. 105 img. 209 – Traslado da prova da justiça devolvido pelo Procurador.

fls. 108 img. 211 – 22-3-1730 – O Procurador pede que lhe sejam ditos os lugares em que lhe dão como cometidas as culpas. Respondeu o Promotor que as primeiras duas testemunhas que acusam dão as culpas no distrito da Paraíba, a 3.ª no Engenho do meio do mesmo distrito;  a 4.ª, 5.ª, 6.ª e 7.ª nas terras do Engenho Velho, e a 8.ª nas terras do Engenho de S.to André.

fls. 108 v img. 212 – 23-3-1730 - Alegação de contraditas pela Ré e seu Procurador.

1-Maria da Silveira Bezerra, foi casada com seu tio Gaspar Henriques e volta e meia estava zangada com o marido e então zangava-se com toda a família dele. Não fala com ela há 16 anos, sendo sua inimiga capital.

2- Duarte Gomes, filho da anterior e seu primo é seu inimigo capital e também não fala com ele há 16 anos, porque ele queria casar com ela e ela não quis.

3 – Se primo Gaspar, irmão do anterior, é também seu inimigo capital.

4 – Filipa da Fonseca, sua tia, é também sua inimiga capital por dizer que a Ré desinquietava a filha Maria de Valença para casar com o irmão dela, como de facto veio a casar contra a vontade da mãe.  Ficou ainda mais zangada quando a filha e o genro lhe levaram de sua casa dois escravos chamados David e Victória e ainda  algumas peças de ouro e prata.

5 – Joana do Rego, casada com Agostinho da Silva é sua inimiga por causa de questões do jogo entre seu marido e o irmão da Ré, António da Fonseca.

6 – Branca de Figueiroa do Engenho Velho, nunca falou com a Ré, mas é sua inimiga e de seu irmão, por este ter dado umas pancadas num escravo dela, que andava a apanhar capim num seu terreno.

7-A Ré está zangada com todos os seus parentes há 16 anos, por ter casado contra a vontade da família, pois todos lhe reprovaram o casamento.

fls. 110 img. 215 – 24-3-1730 – Nomeação de testemunhas às contraditas

fls. 113 v img. 222 – 4-4-1730 – Despacho de recebimento das contraditas – Recebidos todos os artigos com excepção do 6.º porque Branca de Figueiroa não testemunhou contra ela.

fls. 114 img. 223 – 27-4-1730 - Comissão enviada ao Reitor do Colégio da Companhia de Jesus na Paraíba, para interrogar as testemunhas às contraditas.

fls. 119 img. 233 – 27-11-1730 – Audição das testemunhas pelo Comissário P.e Miguel da Costa, da Companhia de Jesus

- João de Lemos Pessoa, solteiro, de 52 anos, residente na Paraíba – Disse que conhece a Ré há 30 anos. Ela tinha diferenças e inimizadas com muitos da sua família, mas ajuntava-se com eles para fazer as cerimónias judaicas.  Disse mais que a Ré nunca foi inimiga de sua tia Maria da Silveira, e que esta se dava mal era com seu marido. Acrescentou que a Maria da Silveira, porque não queria judiar com seu marido (falecido), fugia para casa de seu pai.

- Manuel de Lemos Pessoa, de 30 anos,  residente na Paraíba – Sabia que havia diferenças e inimizades entre a Ré e Maria da Silveira, mas não eram inimigas pois logo se tornavam a dar bem outra vez.  Não sabe quais as causas dessas diferenças.

- António de Lemos, solteiro, de 22 anos, filho de João de Lemos e de Maria de Sousa, residente na Paraíba – Sabe que os familiares da Ré ficaram aborrecidos por ela casar com Francisco Pereira, latoeiro. Disse que a Maria da Silveira se zangava com o marido, por não querer viver na Lei de Moisés como ele vivia.

- Leonardo Gomes, sem ofício, de 48 anos, residente na Paraíba – Sabe que havia dúvidas e diferenças da Ré com Maria da Silveira, sobretudo por causa de ela ter casado com Francisco Pereira, latoeiro, contra a vontade da família.

- Marcos Soares de Oliveira, de 55 anos, morador na Paraíba – Sabe que a família se aborreceu com a Ré, por causa do seu casamento e também pelo casamento de seu irmão com Maria de Valença. Sabe que o dito seu irmão e a mulher levaram de casa do sogro, dois escravos e peças de ouro e prata.

- D. Isabel Teresa, de 35 anos, casada com o Sargento-Mor Luis Gomes de Melo, moradores na Paraíba – Disse que a Ré ficou de mal com seu irmão e quase toda a família, quando casou contra a vontade deles. Mas depois voltaram a dar-se bem.

- Alferes João Soares de Aguiar,  de 62 anos, natural e morador em Paraíba – Disse que a Ré ficou de mal com os seus familiares por ter casado contra a vontade deles. Mas depois, voltaram a dar-se bem.

- António de Sousa Soares, de 25 anos, morador na Paraíba – Disse que a Ré se dava bem com os seus parentes e que se visitavam mutuamente.

- Padre Gonçalo de Gouveia Serpa, de 66 anos, Sacerdote, morador na Paraíba – Conhece a Ré há 9 ou 10 anos. Repetiu as inimizades da Ré, já referidas por outras testemunhas, mas que, passado algum tempo se voltavam a dar bem.

- Catarina Ferreira de Viveiros, de 43 anos, moradora na Paraíba – Sabe que tinha havido dúvidas e diferenças da Ré com Filipa da Fonseca, por causa do casamento de seu irmão com a filha dela, mas que depois se voltaram a dar.

- Maria de Sousa, mulher de João de Lemos, que disse ter de 40 para 50 anos – Sabe que havia dúvidas e diferenças entre a Ré e sua tia Maria da Silveira, mas não duraram 16 anos como diz a Ré, porque as viu tratar-se e falar muitas vezes. Mais disse que nunca notou que a Ré se desse mal com seu primo Gaspar da Fonseca.

Terminou a audição em 13 de Dezembro de 1730.

fls. 124 img. 243 – 30-3-1730 – Citação de mais prova

fls. 125 img. 245 – 12-6-1730 – Estância com o Procurador para indicar perguntas para a repetição das testemunhas.

fls. 126 img. 247 – Traslado de 5 depoimentos contra o Réu.

fls. 126 v. img. 249  - O Procurador diz que as testemunhas devem ser reperguntadas com os mesmos interrogatórios que anteriormente indicara.

fls. 127 img. 251 – 12-6-1730 – Despacho mandando reperguntar as testemunhas

fls. 128 img. 253 – 14-6-1730 – Reperguntas a Filipa da Fonseca

fls. 131 v img. 260 – mesma data – Idem a Ana da Fonseca

fls. 135 v img. 268 – mesma data – idem a Joana do Rego

fls. 139 v img. 276 – mesma data – idem a Manuel Henriques da Fonseca

fls. 144 img. 285 – 23-4-1731 – Requerimento do Promotor antes da publicação. Admoestação antes da publicação. Publicação de mais prova da justiça. São as quatro testemunhas anteriormente reperguntadas. Ouvida a leitura, a Ré disse que era tudo falso. Disse que tinha contraditas com que vir e queria estar com o Procurador.

fls. 147 img.291- 24-4-1731 – Estância com o Procurador

fls. 148 img. 293 – Traslado devolvido pelo Procurador.

fls. 150 img. 297 – O Procurador oferece para estas testemunhas as mesmas contraditas que anteriormente apresentara.

Despacho de 25-4-1731 – A Ré é “lançada” das contraditas com que pudera vir, não há mais que receber. Que o processo corra seus termos.

fls. 152 img. 301 – 26-4-1731 – Assento da Mesa da Inquisição

Por unanimidade é considerado herege, com base nos depoimentos de sua mãe, seu irmão, sua prima e cunhada e outros parentes. Todos os depoimentos foram repetidos. Com base nas contraditas, foi excluído o testemunho de Filipa da Fonseca, mas todos os outros ficaram intocados. Por isso a Ré foi relaxada.

fls. 154 img. 305 – 23-5-1731 – Assento do Conselho Geral

Relaxada.

fls. 156 img. 309 – 3-6-1731 – A Ré é notificada de estar relaxada

fls. 157 img. 311 – 4-6-1731 – Citação para mais prova

fls. 158 img. 313 – 4-6-1731 – Estância com o Procurador

fls. 159 img. 315 – Traslado de dois depoimentos devolvido pelo Procurador. São as denúncias de sua prima direita Guiomar de Valença e de Maria Franca da Fonseca.

fls. 159 v img. 316 – mesma data – O Procurador pede que as testemunhas sejam reperguntadas com as mesmas questões que as outras testemunhas.  A Mesa despacha no mesmo sentido.

fls. 160 img. 317 – 4-6-1731 – Reperguntadas Guiomar de Valença e Maria Franca da Fonseca.

fls. 166 img. 329 – 4-6-1731 – Requerimento do Promotor antes da publicação de mais prova. Publicação da prova da justiça das duas testemunhas. Ouvida a leitura, disse a Ré que era tudo falso, que tinha contraditas com que vir e que queria estar com o Procurador.

fls. 169 img. 335 – 4-6-1731 – Estância com o Procurador

fls. 170 img. 337 – Outro traslado devolvido pelo Procurador.

fls 171 img. 330 – 4-6-1731 – (As datas estão emendadas, como não podia deixar de ser)

O Procurador oferece para estas testemunhas as mesmas contraditas.

A Mesa despacha: “A Ré (…)  não veio com contraditas oferecendo só as com que tinha vindo, (por isso) a lançamos e havemos por lançada das com que pudera vir e sendo vistas as com que veio na primeira publicação delas, se não achou mais que receber, corra este processo seus termos.”

fls. 172 img. 343 – 2.º Assento da Mesa da Inquisição

Confirma o anterior Assento.

fls. 176 img. 349 – 2.º Assento do Conselho Geral

O Assento de 3 de Maio não está alterado. Relaxada.

fls. 178 img. 353 – 15-6-1731 – Sexta-feita - Notificação de mãos atadas. Ficou com ela o Padre António Ferreira, da Companhia de Jesus.

fls. 179 img. 355 – 17-6-1731 – Domingo – Confissão no auto, de mão atadas

Confessa cerimónias judaicas e jejuns em casa de seu tio afim Simão Rodrigues, já defunto, seis anos atrás. Ela porém nunca tivera ânimo nem convicção para realizar as ditas cerimónias. Pediu perdão e misericórdia.

fls. 183 img. 363 – 17-6-1731 – 3.º Assento da Mesa

A confissão que fez no cadafalso não deve alterar o assento.

fls. 186 img. 369 – 17-6-1731 – 3.º Assento do Conselho Geral

Concordam com a Mesa. Relaxada.

fls. 188 img. 373 – Sentença

fls. 191 img. 379 – 17-6-1731 – Publicada a sentença no auto de fé celebrado na Igreja do Convento de S. Domingos.

Conta de custas: 17$855 réis

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Costumes Judaicos no Nordeste Brasileiro

A mulher sefardita e a manutenção dos costumes A área de influência da mulher sefardita (como de qualquer mulher) era a esfera doméstica. Entretanto, não podemos absolutizar esta característica, pois vários são os exemplos de mulheres judias que se notabilizaram por suas atividades de donas de engenhos ou de comerciantes, participando ativamente na gestão dos negócios da família... (continua)

Costumes Judaicos no Nordeste Brasileiro

A mulher sefardita e a manutenção dos costumes

A área de influência da mulher sefardita (como de qualquer mulher) era a esfera doméstica. Entretanto, não podemos absolutizar esta característica, pois vários são os exemplos de mulheres judias que se notabilizaram por suas atividades de donas de engenhos ou de comerciantes, participando ativamente na gestão dos negócios da família. No Nordeste o exemplo mais marcante é o de Branca Dias, presa, condenada e deportada para o Brasil por práticas judaizantes, e novamente deportada para Lisboa pela Inquisição pelos mesmos motivos, mesmo depois de morta. A vida de Branca Dias flutua entre a História e a lenda. Paraíba e Pernambuco reivindicam para si seu domicílio. Entretanto, esta questão permanece inconclusa, visto que nos primórdios da colonização estes dois Estados formavam uma só capitania. Denunciada e presa pela Inquisição, ainda em Lisboa, Branca Dias foi desterrada para o Brasil. Aqui ela chegou juntamente com seus sete filhos e veio ao encontro de seu marido, Diogo Dias Fernandes, que já se encontrava em terras nordestinas desterrado também. Como tantos outros judeus que aqui chegaram, eles eram senhores de engenho. Mas, segundo consta, ela e seu marido possuíam uma Torah e faziam “esnoga”, ou seja, culto religioso, no Engenho Camaragibe, de propriedade de Bento Dias Santiago. O sinal de convocação para o culto era dado por uma pessoa que passava pela vila com os pés descalços tendo um lenço vermelho amarrado ao tornozelo. Essa pessoa era chamada de “o campainha”. Muitos “campainhas” foram denunciados à Inquisição na primeira visita do Santo Ofício ao Nordeste, em finais do século XVI. Nessa ocasião os filhos e netos de Branca Dias foram presos e enviados para Lisboa sob a acusação de reconversão ao judaísmo. Branca Dias e seu marido já eram falecidos, mas, diz a lenda que mesmo assim foram processados e que seus ossos foram enviados à Portugal para serem queimados no Rossio. Embora seja a figura feminina mais famosa, Branca Dias é uma entre muitas mulheres que se propuseram a manter suas crenças, aberta ou veladamente. Na sua “pequena” esfera de influência a mulher judia conseguiu criar e sustentar verdadeiras redes de sociabilidade.A esfera doméstica foi determinante para a manutenção da comunidade. Por ela passavam as estratégias matrimoniais, os costumes e a religiosidade através da educação das novas gerações

Palavras, nomes e expressões de origem Sefarditas

A vinda dos portugueses para o Brasil trouxe consigo todos os empréstimos culturais e lingüísticos que já haviam sido incorporados ao cotidiano ibérico. Azeite, por exemplo, vem do hebraico “ha-zait”, literalmente “a azeitona”, e “ladino”, que signi fica astucioso, designa o dialeto usado pelos judeus que migraram para a Península Ibérica. Porém, a maior parte dos hebraísmos chegou ao português por influência do cato li cis mo, fazendo escala no grego e no latim eclesiásticos, quase sempre relacionados a conceitos religiosos, tais como: aleluia, amém, bálsamo, cabala, éden, fariseu, hosana, jubileu, maná, messias, satanás, páscoa, querubim, sábado, serafim e muitos outros. Sobrenomes muito comuns, tanto no Brasil como em Portugal, podem ser atribuídos a uma origem sefardita. Supõe-se que ABREU seja uma variante de hebreu, BRITO de brit milá que significa “circuncisão”, BARROS vem de Baruch que significa “graça” e “agradecimento” e SANTOS vem de Shem Tov que significa literalmente “bom nome”. Outros exemplos são: Alves, Bacelar, Carvalho, Coelho, Duarte, Fernandes, Gonçalves, Lima, Silva, Silveira, Machado, Paiva, Pina, Miranda, Rocha, Valadares, etc. Porém é importante ressaltar que não se pode afirmar que todo brasileiro que porte estes sobrenomes seja descendente direto de judeus. Para se ter certeza é necessária uma pesquisa profunda da árvore genealógica das famílias.

“Pensar na morte da Bezerra”. Esta frase, comumente dita pelos sertanejos de hoje para se referir a alguém que está com ares de preocupação, está registrada nas denunciações e confissões feitas ao Santo Ofício e se referem à Torah. Era feito um jogo entre as palavras Torah e “toura” (feminino do touro), daí “bezerra”.

“Passar a mão na cabeça”, com o sentido de perdoar, vem da maneira judaica de abençoar, passando a mão pela cabeça e descendo pela face.

“Seridó”, região no Rio Grande do Norte, tem seu nome originário da forma hebraica contraída “sarid”, que significa “refúgio de”. Em hebraico, a palavra Sarid significa sobrevivente. Acrescentando-se o sufixo ó, temos a tradução sobrevivente de. A variação Serid, “o que escapou”, pode ser traduzido também por refúgio. Desse modo, a tradução para o nome seridó seria refúgio dele ou seus sobreviventes. Uma outra interpretação é dada por Câmara Cascudo, indicando uma origem indígena “ceri-toh”.

“Passar mel na boca”. Essa expressão é corrente no Nordeste. Na circuncisão o rabino passa mel na boca da criança para evitar o choro. Daí a origem da expressão. “Para o santo”. O hábito sertanejo de derramar uma parte do cálice antes de beber, tem raízes no rito hebraico milenar de reservar, na festa de Pessach (Páscoa), um copo de vinho para o profeta Elias, representando o Messias que virá.

Que massada!” Expressão usada para se referir a um contratempo. É uma alusão à fortaleza de Massada, na região do Mar Morto, e ao suicídio coletivo de judeus para não se renderem aos romanos, de acordo com relato do historiador Flávio Josefo.

“Vestir a carapuça” vem da Idade Média inquisitorial, quando judeus eram obrigados a usar chapéus pontudos para serem identificados.

“Fazer mesuras” origina-se na reverência à Mezuzá, pergaminho com versículos afixado no batente direito das portas.

“Deus te crie” após o espirro de alguém é uma herança judaica da frase Hayim Tovim, que pode ser traduzido como, “saúde”, ou “tenha uma boa vida”.

“Pedir a bênção” aos pais ao sair e chegar em casa é uma prática judaica que remonta à benção sacerdotal, onde os pais abençoam os filhos, como no Shabat e no Ano Novo.

“Apontar estrelas faz crescer verrugas nos dedos”. Como o dia judaico começa na noite do dia anterior, o início de um dia era marcado pelo despontar da primeira estrela no céu. Assim o sábado (dia de celebração nas casas judaicas), começava com o despontar da primeira estrela no céu da sexta-feira. Se uma pessoa demonstrasse alguma reação publicamente com relação a tal estrela, ela seria alvo de suspeitas. Um adulto consegue conter-se, mas uma criança não. Então se dizia às crianças que apontar estrelas fazia crescer verrugas nos dedos.

Costumes sefarditas encontrados entre as famílias sertanejas

Muitos costumes judaicos que se perpetuaram na cultura nordestina se referem ao cotidiano das pessoas, aos usos domésticos, permitindo que eles fossem passados de uma geração a outra com tal naturalidade que seus praticantes sequer se davam (ou se dão) conta da origens de sua origem. Estes usos domésticos, por mais simples que fossem, eram os motivos alegados para a delação, justificando o segredo. Por exemplo, substituir a banha de porco pelo azeite no preparo dos alimentos era considerada uma prática judaizante, bem como não consumir crustáceos ou animais de casco fendido. Estes costumes ficaram tão arraigados que o nordestino contemporâneo de ascendência sefardita não cria porco, não faz uso de sua carne e derivados e não come qualquer tipo de crustáceo, embora, na maioria dos casos, ele não tenha consciência da origem de tais restrições, nem de inúmeras práticas e ritos que integram o seu cotidiano.

Ritos Alimentares

A prática de jejuns é estimulada. Um menino deve jejuar durante 24 horas antes de completar sete anos. No dia das núpcias os noivos e padrinhos devem jejuar. Jejuar no terceiro e oitavo dia após a morte de um parente. Jejuar um dia a cada três meses, durante um ano, após a morte de um parente. Jejuar durante a Semana Santa. Peixes de couro (sem escamas), moluscos e crustáceos são proibidos. É proibido comer carne com sangue. Ovos com mancha de sangue são jogados fora. Não de deve cozinhar carne e leite juntos. A ingestão do leite e da carne deve ter três horas de intervalo. É proibido comer carne de animal de sangue quente que não tiver sido sangrado. O abate do animal deve ser por esvaziamento do sangue. A carne deve ser lavada até ficar livre de todo o sangue. Come-se apenas comida preparada pela mãe ou pela avó materna. O pão é especialmente sagrado. Em sinal de respeito, costuma-se beijar qualquer pedaço de pão que tenha caído no chão.

Ritos de preparação e uso de ervas medicinais Preparar e ministrar os medicamentos feitos com plantas apenas nas horas “noni”. Dentro da preparação dos remédios caseiros, a base de plantas medicinais, as pessoas mais velhas informam que a quantidade da parte da planta utilizada (folha, semente, etc) não deve ser par. Assim sendo, não se deve usar dois (número par) “brotos de goiabeira” e sim três para se fazer um chá no combate a diarréia. A pesquisadora Lenilde Duarte de Sá 19 observou que em todas as fórmulas de medicamentos caseiros os ingredientes são sempre ímpares: 3, 5, 7, 9... Questionados, os informantes responderam: - Porque tem que ser “noni”! Este termo vem do latin “nona” (“noni” no plural), uma das horas em que os romanos e judeus dividiam o dia, e correspondia às três horas da tarde. Na concepção judaica o dia era dividido em quatro horas: A Primeira hora iniciava com o levantar do sol, a Terceira hora, iniciava às 9 horas, a Sexta hora iniciava ao meio-dia, e a Nona hora iniciava às 15 horas, ou três da tarde. Isto implica que o termo “noni” pode estar relacionado à divisão das horas, entretanto não justifica o uso dos ingredientes para o medicamentos apenas em número ímpar. É um desafio para a pesquisa. Ritos Devocionais Acender duas velas nas sextas-feiras à noite. É proibido fazer qualquer coisa na sexta-feira à noite, até mesmo tomar banho. Acender velas diante do oratório aos sábados e deixar queimar até o fim do dia. Acender oito velas no dia de Natal.

Disponível em <https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:n5uRxCVN7L8J:https://revistas.ulusofona.pt/index.php/cienciareligioes/article/view/3923/2641+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br>. Acesso no dia 06/08/2020

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