Cristãos- Novos, No BRASIL!! AMBRÓSIO VIEIRA - Um Patriarca


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Cristãos- Novos, No BRASIL!!

AMBRÓSIO VIEIRA - Um Patriarca 

Do Caderno do Promotor da Inquisição livro 217, temos a seguinte denúncia: 

"Aos 23/10/1637, em Lisboa na cada do despacho da Inquisição, apareceu sem ser chamado, Salvador das Neves, (de 24 anos de idade, natural de Amsterdam), filho de Abraham Machorro, natural desta cidade e que depois se passou a viver na Lei de Moisés na cidade de Amsterdam e de Ester, filha também de portugueses nascidos nesta cidade, e disse que:

Há cerca de seis meses, na Cidade da Paraíba, se achou ele declarante, por viver nela com os holandeses, professando a Lei de Moisés, e que achando em uma casa da dita cidade, na qual os judeus que ali residem acodem aos sábados em uma sala grande, e nela oram e fazem suas cerimônias como em sinagoga, que para o dito efeito lhes deseja nos ditos dias um Capitão judeu que mora na dita casa, por nome Moisés Peixoto (alias Diogo Mendes Peixoto), com ele e com os mais judeus públicos que tinham vindo da Holanda, e um Moisés de Almeida ( alieas Pedro de Almeida), cristão-novo português, que depois de tomada a Paraíba se foi circuncidar a Amsterdam, do qual ouviu dizer era natural da cidade do Porto; e uma sua avó, que neste Reino fora queimada pelo santo ofício; e um outro companheiro deste (Gabriel de Cáceres), e na (casa) de um homem chamado (Manuel Rodrigues) Monsanto, que há um ano foi do Brasil para Holanda e fazer-se também judeu, o qual é grosso e baixo de corpo, e terá 60 anos de idade, e com Ambrósio Vieira que será de 50 anos, baixo de corpo e carregado das espadas, e Manuel Rodrigues da Costa, genro deste, que era de 40 anos, grosso e bem disposto, e João Nunes do Paço, sobrinho do dito Ambrosio Vieira, mancebo de 32 anos, bem disposto e alvo de rosto. 

E estando todos juntos, começou a dizer Moisés Peixoto a Lei por um livro da Lei de Moisés, por guarda e observância dela, declarando-se por crente e observante da dita Lei. E a mesma declaração tiveram com o dito Moisés Peixoto, as sobreditas pessoas, a saber, ele declarante e os judeus que tinha vindo de Holanda, Moisés de Almeida e o companheiro deste, o Monsanto, e Ambrósio Vieira, seu genro e sobrinho, os quais ainda se não circuncidaram com temor de que tornara a Espanha recuperas aquele Estado e declarando-se por judeus; foram lendo cada um por um livro da dita Lei de Moisés, o que o dito Ambrósio Vieira e seu genro e sobrinho faziam por um livro de letra portuguesa, por não saberem ler hebraico como os demais, e que feita a dita oração, no caso por espaço de duas horas, pediu o dito Moisés Peixoto, umas esmolas para os judeus pobres de Holanda, a qual prometeram fazer todas as sobreditas pessoas. E que dentro de 18 dias viu que o dito Ambrósio Vieira mandou um facho de açúcar para a dita esmola que se pediu na sinagoga.

Ambrósio Vieira era natural do norte de Portugal, foi casado com Joana do Rego, teve um filho e 4 filhas, e foi lavrador de cana-de-açúcar no Engenho Três Reis na Cidade da Paraíba. Sua viúva e seu filho foram fintados em 1664.

O filho Luís Nunes da Fonseca teve duas mulheres, Rufina e Maria Tomás, esta filha de Diogo Nunes Tomás e Guiomar Nunes. A filha Clara Henriques foi casada com seu primo João Nunes do Paço. A filha Filipa Nunes da Fonseca foi casada com Manuel Rodrigues da Costa e da filha Isabel Henriques, nada sei.

A filha Maria da Fonseca, casou com o engenheiro e mercador Baltasar da Fonseca e foram os pais do Rabino Daniel Belillos que ensinou na Comunidade Judaica de Amsterdam, e casou com Judith, filha do Rabino Isaac Aboab da Fonseca.

Os netos e bisnetos deste patriarca, foram denunciados e presos na segunda visitação do santo ofício na Paraíba, a partir do ano 1728, pelo crime de Judaísmo. Uma delas, Guiomar Nunes, foi queimada viva na fogueira, porque ensinava judaísmo.